Eu nunca entendi direito qual era o meu pavor de hospitais. Talvez seja o silêncio ensurdecedor, a tensão entre os parentes das pessoas que estão ali internadas, o meu temor de agulhas, ou o meu simples medo da morte. Lembro-me de quando eu era pequena, e jurava de pés juntos que seria uma médica, porque eu desejava salvar vidas. Mas com o passar dos anos, eu fui percebendo que não é tão simples eu apenas querer salvar alguém. Existem riscos, complicações, erros. E uma das coisas que mais influenciou na mudança de carreira, é saber que ao mesmo tempo que posso recuperar a saúde de uma pessoa, eu posso acabar com ela. E seria um trauma, caso isso acontecesse. Mas ao mesmo tempo que existem médicos que cometem erros imperdoáveis (onde, infelizmente, tem aumentado o número de casos assim), há aqueles que trazem esperanças para muitas famílias. Um dos pontos que mais me inquieta, ao visitar um hospital, é ver a quantidade de pessoas sofrendo, não apenas fisicamente, mas também emocionalmente. Gostaria de poder acabar com toda essa angústia, medo e aflição… Entretanto, se por um lado, é lá que algumas vidas terminam, é também em um hospital que tudo começa. O nascimento, o primeiro resfôlego, o primeiro choro, a primeira vez nos braços dos pais… Uma nova chance, uma nova esperança. Franciane M.

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1 year ago on 17 December 2010 @ 10:17pm 2 notes
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